Tem gente que na pandemia se acostumou a comentar. Hoje não existe mais aquela fofoqueira do bairro que ficava na sacada da janela observando a movimentação e o entra-e-sai dos vizinhos.Hoje, esses analistas acordam, ligam o computador, olham as redes sociais e começam a tecer comentários em seus grupos de whatsapp sobre toda a sorte de assuntos e temas “relevantes” Assim passam o dia, tentando ser informativos, opinativos, engraçados, agressivos, profetas, pregadores… O computador funciona como uma espécie de escudo. Eles se sentem protegidos e resguardados, afinal todos no grupo são amigos,são confiáveis. Quando há consenso o assunto esfria logo, agora quando há divergências filosóficas, políticas, existenciais, esportivas ou familiares aí a coisa se alonga, aí o bicho pega. Como tem gente que não faz absolutamente nada de relevante na vida a não ser ficar jogando paciência, assistindo a vídeos caseiros ou bisbilhotando a vida dos outros nas redes, quando a noite chega eles olham no relógio e perguntam: vamos jantar?